Cunha deve e teme, mas mantém a pose?

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Operação - 01

by Nilton Ramos

Começou a valer desde esta quarta-feira, o prazo dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para apresentar defesa na acusação em seu desfavor apresentada à Corte pela Procuradoria-Geral da República, em peça assinada por Rodrigo Janot, no final do ano passado.

Cunha é acusado de usar o poder de presidente da Câmara para obstruir os trabalhos da CPI que analisa quebra de decoro que pesa contra si.

O relator do caso é Teori Zavaski. Que deverá decidir nos próximos dias se deferi o pedido liminar pelo afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Casa, até que se julgue o mérito da ação.

As preocupações de Cunha não terminam aqui. O ainda presidente da Câmara enfrenta investigação por remessa ilegal de dinheiro para paraísos fiscais, com as contas localizada pelo Ministério Público da Suíça, sendo ele o seu beneficiário.

O peemedebista é suspeito de envolvimento na organização criminosa, que desviou mais de R$7 bilhões da Petrobras, que beneficiou políticos e executivos da várias empreiteiras que tinham contrato com o Governo.

Em agosto, numa atitude atípica, Eduardo Cunha se apresentou à CPI da Petrobras por vontade própria, para afirmar que não tinha envolvimento com a organização, que não recebera nenhum benefício ilícito e que não possui dinheiro em paraíso fiscal.

MANTENDO AS APARÊNCIAS – Não há que negar que Eduardo Cunha obteve algumas e importantes vitórias. Ele atrasou a CPI para a investigação de quebra de decoro, pois o ano terminou, a matéria foi discutida no Supremo Tribunal Federal, que acabou interferindo no Poder Legislativo, anulando tudo que já havia sido feito. Nova eleição de membros da Comissão terão que serem realizadas, e na prática, o Congresso só volta a funcionar depois do Carnaval, e como de costume, de terça a quinta-feiras.

Deputado Eduardo Cunha: Me engana que eu gosto (...) Foto: Agência Câmara.
Deputado Eduardo Cunha: Me engana que eu gosto (…)
Foto: Agência Câmara.

Nos bastidores Eduardo Cunha até aqui articulou muito bem, e chegou, inclusive, a deferir o pedido de abertura de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

paixao

Pelo visto, ninguém do Parlamento e do Executivo Federal tirou férias nesse fim/início de anos. Estão articulado, arremendando acordos.

Da parte do Governo, acreditam que a troca do ministro da Fazenda, por exemplo, Joaquim Levy por Nelson Barbosa é vista como positiva para o mercado, em recesso e a reconquista da credibilidade de gestão econômica que se espera da Administração.

O pagamento de mais de R$71 bilhões pelas pedaladas fiscais é outro fator considerado essencial para sepultar a possibilidade de impedimento da presidente.

Eduardo Cunha não mudou. Continua altivo, mantendo as aparências em público. Seguro de tudo o que faz ou pretende fazer para se manter como presidente da Câmara e assistir a deposição de Dilma Rousseff.

Mas essa segurança de Cunha não seria apenas aparente? Atrás das portas da sua casa não estaria ele em desespero, já antevendo a perda de mandato, e muito provavelmente, o enfrentamento de um julgamento no STF por conta da operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal?  

Nilton Ramos
Bacharel em Direito; Pós-Graduado em Direito do Trabalho Lato Sensu; humanista e fundador-presidente da ONG CIVAS – BRASIL.

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