A política como profissão

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por Nilton Ramos*

Assim como o voto eletrônico ainda não provou ser totalmente seguro, apesar de ajudar na dinamização do processo eleitoral, neste aspecto, estou com a presidente Dilma Rousseff  ao vetar a impressão do extrato do voto.

Avançamos com o processo democrático sim. Por outro lado, o extrato de comprovação eleitoral ‘será’ também instrumento do político corrupto e do eleitor corrompido, irresponsável e descompromissado com a cidadania para provar que votou em determinado candidato, violando a legalidade eleitoral.

O voto, infelizmente, e os fatos atuais nos mostram isso, tem sido instrumento e/ou moeda de troca. A imprensa noticiou eleitores que fotografaram com telefone móvel o seu voto, o que é vedado e combatido, agora o extrato guarda similitude com tal procedimento viciado.

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O processo democrático implementado na República Federativa do Brasil pela CRFB/88 com a Constituinte é vagaroso, e seria presunção de quem quer que seja que este já estivesse concluído.

Talvez nunca o seja, porque as leis surgem com a evolução da sociedade. E tem sido por isso com a Carta Política, ainda uma menina, passa por um processo lento de aprendizagem, em busca do amadurecimento, mas sabendo que a perfeição não lhe será possível alcançar.

A Constituição que tornou reais direitos fundamentais, sociais, dentre outros, ainda sofre invasivas violações.

Ainda pagamos um preço absurdo pela ignorância cívica. Não sabemos exercer a plena cidadania. Nos sentimos envergonhados de exigir que respeitem nossos direitos.

Ainda somos milhões de brasileiros que, enganados, acreditam que há cidadãos de primeira, segunda e terceira categorias.

Os dois últimos servem ao cidadão de linhagem especial. São ‘convencidos’ a desistirem de si mesmos. Vivem em situação subumana, porque e esses cidadãos lhes são negados direitos básicos, lhes falta a dignidade.

Confiamos ao estado o direito de nos ‘Administrar. ’ E por isso, pagamos muito caro, valor excessivamente cobrado e sem retorno proporcional.

Não há nem que se falar em retorno, quando esse mesmo estado tem sido omissão e ausente nos setores mais necessários da nossa vida.

Mais grave ainda quando aqueles que elegemos para nos representar se viram contra o próprio criador, o próprio constituído. E toma para si o direito de ser ‘diferente’ dos demais.

Presumo sermos a única democracia do mundo em que a lei não é aplicada igualmente para todos.

O foro privilegiado é o pior exemplo que se poderia ter incluído na mesma Carta Cidadã/1988.

Desde a sua criação, a CRFB tem passado por transformações. Não olvidemos que em um futuro próximo uma Nova Assembléia Nacional Constituinte seja convocada para se retirar direitos conquistados com muitos esforços e vidas, e destruir as cláusulas pétreas.

Nossos empregados que são muito bem remunerados, não bastasse toda mordomia que a função lhe empresta, tem a petulância de exigir pixulecos, mensalões, mensalinhos, petrolões…abertura de off shore, enganar o fisco brasileiro e a Justiça Eleitoral nas declarações de bens, e comumente confundir o público com o privado.

Esses mesmos empregados do povo, recebedores do maior salário pago no país, não satisfeitos, e com a intenção de se perpetuar no poder, cria suas reservas ilícitas para cometer mais ações fraudulentas, como crime eleitoral, etc.

Entre eles, a mercantilização do voto. Não é quem está por trás do voto, mas o quanto vale e quantos são estes títulos eleitorais que são a chave para a entrada no poder, ou a sua permanência nele.

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A educação, a informação, a conscientização e a cidadania são os melhores e mis eficazes instrumentos para se transformar uma Nação.

Mas como alcançarmos uma democracia pura quando milhões de brasileiros, de cidadãos são diariamente enganados ou induzidos ao ‘erro’ por complexos de comunicação que pertencem a determinados grupos políticos?

Como um cidadão cujo estado lhe nega a dignidade é capaz de estar entre tudo isso, o dia todo, e não ser contaminado ou enganado por esses profissionais do crime?

Numa democracia pura à maioria é vedado obstruir as manifestações e os direitos das minorias. Essa história de vale o que decide a maioria não pode ser utilizada como argumento para manter esse sistema sujo de décadas.

Há exceções? Certamente! Mas quem são? Onde estão?  Como identificá-las em um país onde governos não elegem o ensino público, desde o seu limiar como prioridade?

Crimes políticos deveriam compor o elenco dos ilícitos hediondos ?

Político deveria ser mesmo uma profissão? Sabidamente o político tem carreira, depois de anos sendo alimentado pelo dinheiro público, esse passa o bastão [os votos de cabresto] para o seu filho, seu apadrinhado.

Que tal o legislador e o executor não serem cargos remunerados?  

Nilton Ramos
Bacharel em Direito; Pós-Graduado em Direito do Trabalho Lato Sensu; humanista e fundador-presidente da ONG CIVAS – BRASIL.

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